A confirmação, pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de que o pacote habitacional em elaboração pelo governo federal deve ser lançado até o final deste mês, significa um alento não apenas para quem precisa de moradia, mas também para quem perdeu seu posto de trabalho depois do início da crise global ou está buscando uma primeira oportunidade no mercado formal. O país perdeu milhares de vagas desde o início das dificuldades econômicas em âmbito mundial e a construção civil tem potencial para ampliar a oferta de oportunidades num curto espaço de tempo. Ainda assim, é importante que o governo federal se preocupe em assegurar mais vagas, mas também em preservar a sua qualidade na construção civil e nas demais atividades industriais , evitando que esse momento de maiores dificuldades dê margem a uma deterioração ainda maior das condições de trabalho.
Em princípio, o programa habitacional em elaboração pelo governo prevê a construção de até 1 milhão de casas em três anos. Mantidas as metas, não haveria dificuldade, portanto, para gerar os 700 mil postos de trabalho até 2011, como foi previsto inicialmente. Iniciativas dessa ordem são importantes para ajudar a confirmar a tendência de recuperação que começou a se ensaiar já em fevereiro e pode se repetir em março, nos dados oficiais. Por suas características, a construção civil é um dos segmentos da indústria que mais rapidamente respondem a políticas específicas, sempre que contemplada com providências efetivamente necessárias para o mercado.
É oportuno, por isso, que o programa destinado a essa área esteja empenhado em reduzir o tempo médio de construção de 33 para 11 meses. Por isso, uma das questões que precisam ser enfrentadas em caráter obrigatório e emergencial é o excesso de burocracia, que já levou o governo a adiar em um ano a confirmação das metas previstas. Ao mesmo tempo, é importante que os responsáveis pelas ações contra a crise levem em conta o alerta dos sindicalistas sobre o risco da precarização da mão-de-obra, numa área historicamente marcada pela alta rotatividade e pela baixa qualificação.
O Brasil, que vinha conseguindo deixar para trás o drama da falta de vagas, precisa se esforçar agora para preservar ao máximo os níveis de emprego e para garantir a qualidade das contratações. Com base nos números de fevereiro, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tem insistido na afirmação de que o pior nessa área já teria passado no Brasil, apostando na possibilidade de as estatísticas oficiais de março continuarem confirmando uma recuperação no número de empregados com carteira assinada. Programas como o da área habitacional podem dar um impulso importante nesse sentido, com a vantagem de contribuir para resolver um problema crônico do país, que é a falta de habitação de baixo custo, a preços acessíveis.
Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br