O estudo observou a movimentação em 42 setores da economia e estimou os impactos socioeconômicos gerados pela operação do Pan em cada área, identificando oportunidades que não existiriam caso o Brasil não tivesse acolhido o evento, como construção de instalações esportivas, melhoria de infraestrutura urbana, aquisição de equipamentos de segurança e todos os serviços necessários aos Jogos e os outros serviços a eles agregados. A pesquisa detalha ainda o valor do impacto por setor da economia de acordo com a autoria dos investimentos - União, governo estadual, prefeitura e Comitê Organizador dos Jogos (CO-Rio) - e também por finalidade - infraestrutura e custeio.
Os resultados demonstram que para cada R$ 1 milhão investido pela organização dos Jogos (União, Estado, Município e CO-Rio), a economia nacional movimentou R$ 1,879 milhão. Em outras palavras, os mais de R$ 3,5 bilhões de aporte dos organizadores induziram a iniciativa privada a injetar outros R$ 6,7 bilhões nas cadeias produtivas relacionadas aos Jogos, provocando movimentação total de R$ 10,2 bilhões na economia brasileira. Entre os setores da economia observados na pesquisa, os que apontaram maior movimentação em virtude dos Jogos foram a construção civil (13,8%), administração pública (13,4%), comércio (6,6%), aluguel de imóveis (5,8%), agropecuária (5,5%) e refino de petróleo (5,1%).
Para os cálculos, os pesquisadores utilizaram como base os dados oficiais dos investimentos em infra-estrutura e custeio dos Jogos entre 2001 e 2007 - os valores foram corrigidos em novembro de 2008, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do IBGE.
Os impactos também foram mapeados em quatro áreas espaciais: município do Rio de Janeiro, sua região metropolitana, o estado do Rio e o restante do Brasil. E, ao contrário do que possa ser imaginado, os efeitos positivos do Pan não se limitaram ao estado do Rio de Janeiro. Mais da metade da produção (55,9%) e dos empregos (60,38%) gerados pelo evento esportivo beneficiou pessoas que moram além das fronteiras do estado fluminense, assim como quase metade da massa salarial (49,3%) e dos impostos indiretos arrecadados (52,4%).
Em escala nacional, o destaque foi o setor agropecuário. Com ganhos de R$ 244,4 milhões, o setor e pelo menos outros dois a ele relacionados (beneficiamento de produtos de origem vegetal e abate de animais) atingiram percentuais de quase 99% do impacto fora do Rio. O interior do estado absorveu praticamente 75% dos efeitos totais dos gastos no setor de petróleo e gás, lucrando na ordem de R$ 49 milhões. Já a cidade do Rio de Janeiro e sua região metropolitana tiveram melhor desempenho nas atividades econômicas que atuavam diretamente nos Jogos, como construção civil e serviços. O município do Rio recebeu o impacto de R$ 1.138,398 no setor da construção civil, o que corresponde a 80% do total.
O comércio da capital fluminense também foi impulsionado diretamente pelos Jogos Pan-americanos Rio 2007. A avaliação é do presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Olavo Monteiro de Carvalho. ''O impacto econômico e social inequívoco desses investimentos, fruto da equilibrada parceria entre os governos federal, municipal e estadual e o CO-Rio, com todos os seus efeitos multiplicadores, deve servir de motivo para uma reflexão profunda sobre o papel do esporte como elemento transformador da vida das pessoas'', afirmou Carvalho.
Os resultados da pesquisa também mostram um vertiginoso crescimento do número de postos de trabalho no período, sobretudo na área da construção civil. A medida econômica utilizada para aferir o impacto foi a EHA (Equivalência Homem por um Ano), a mais conveniente para esse tipo de análise porque os empregos gerados por um projeto temporário, como os Jogos, possuem características distintas de natureza e de tempo. No estudo, a EHA representa a soma das horas e das remunerações de trabalho temporárias e definitivas criadas para organizar e executar o Pan. Desta forma, Os investimentos feitos no Pan geraram uma força de trabalho equivalente a 178.955 pessoas trabalhando por um ano nas cadeias produtivas envolvidas em sua organização. De acordo com a pesquisa, foram criadas 55.139 vagas na cidade do Rio, 9.535 na região metropolitana, 6.213 no interior do Estado do Rio e 108.068 - a maioria absoluta, portanto - no restante do País.
Fonte: vermelho.org.br